Sobrevivência
Há pouco tempo atrás,
uma mulher foi assaltada quando voltava do seu trabalho, no período da noite,
logo quando se aproximava de sua casa, por um homem de roupas escuras,
dirigindo uma moto; este homem possuía um físico forte e apontava por dentro de
sua camisa uma arma. A vítima perdeu tudo o que estava carregando no momento do
assalto: documentos, celular, cartões de crédito, material de estudo, entre
outros objetos pessoais. Foi um choque para toda a família. Essa pobre mulher
ficou assombrada, pois por poucos instantes havia estado tão perto da morte.
Teve pesadelos com aquela voz que parecia nunca sair de sua cabeça, dizendo:
"Isso é um assalto, passa a bolsa ou eu atiro! Cadê o celular? Vá andando
sem olhar para trás." Ficava desesperada ao ouvir o barulho de uma moto se
aproximando na rua. E hoje, essa pessoa fez uma descoberta. Numa noite silenciosa,
enquanto estava em seu apartamento houve-se, de repente, um grito de socorro.
Contudo, não teria sido apenas um grito, parecia aqueles que escutamos em
filmes de terror quando o monstro aparece para a mocinha. Esse grito conseguiu
passar para todos aqueles que estavam num raio de 50m daquele local, o
verdadeiro desespero de uma pessoa em total estado de pânico. Todos os
condôminos sairam em suas varandas para saber o que estava acontecendo naquele
dado momento, aqueles que vivem em residências abriram suas portas e saíram em
meio à rua, todas as luzes se acederam. Mais uma mulher tinha sido assaltada na
porta de casa. A segunda vítima descreveu seu assaltante como sendo um homem de
roupas escuras, físico forte, dirigindo uma moto. Porém, ela surpreendeu o
assaltante com o grito, o qual salvou sua vida, ele, então, saiu em desesperada
rua a baixo. As duas mulheres ao se encontrarem no corredor do bloco do
condomínio acabam conversando o resto da noite, compartilhando suas
experiências traumáticas; até um momento em que a segunda vítima encontra ainda
no corredor do bloco outras duas mulheres, as quais seriam suas amigas. Todas
começam a conversar sobre o ocorrido, até que outra surpresa aparece para esta
noite silenciosa: uma das duas mulheres que apareceram no corredor do bloco,
também teria sido assaltada quando se aproximava de casa, no período da noite
por um homem de roupas escuras, físico forte, dirigindo uma moto. Todavia, esta
pobre mulher teria sido abordada de forma diferente: o dito homem após ter pego
sua bolsa, apalpou seu corpo
descaradamente a procura de algo mais; mandou ela ir embora sem olhar para trás
e quando ela começa a andar ele a segue na moto, por sorte, ele desisti e vai
embora. Num total de 3 mulheres que moram no mesmo bloco, ao compartilharem
essas experiências, concluíram que seus assaltantes tratam-se do mesmo homem;
que este usa roupas escuras para confundi-lo com o vigia; que ele está rondando
todo o bairro, mas está área era seu foco; e que principalmente suas vítimas
eram mulheres. Esse filme de terror é verídico, eu mesma conheci essas
mulheres. Agora, a pergunta que não quer calar é ... ou melhor, as perguntas são:
se esse homem tem cometido tantos crimes em um mesmo local, com vítimas
tão próximas e inúmeros registros de
assaltos com as mesmas descrições na polícia. Por que nada tem sido feito? Qual
a expectativa de vida do cidadão brasileiro no contexto de violência e
impunidade em que lidamos hoje? Que vida é essa onde somos confinados a estar
trancados em casa, com medo de sair para trabalhar, estudar, se divertir enquanto
pessoas sem caráter, moral, ética estão soltas nas ruas para fazer o mal? Até
quando esse pesadelo vai durar? Pesadelo o qual temos que sair contando vantagem
quando algo de mal nos acontece, como "É! Vão-se os anéis e ficam os
dedos" ou "Pelo menos você está viva"! Por que nós mulheres somos as mais
prejudicadas enquanto ainda temos que escutar coisas como " Para que
feminismo? Isso é perda de tempo!", "Machismo não existe, isso é
exagero!" ? Sinceramente, é ridícula a situação em que o Brasil se
encontra atualmente, é uma verdadeira catástrofe. São tantos os problemas a serem tratados desde a raiz. Não sei o que
é preciso fazer, se seria uma reforma política, uma manifestação, seja o que
for, algo precisa ser feito, pois continuar assim, não é viver... É sobreviver!
Maria Eduarda, Conselheira



