Os estrangeiros
“Hoje a noite vai ter luar”. Vou
vê-lo de camarote, junto ao mar e as estrelas, que, aliás, são minhas únicas
companhias nas madrugadas sombrias de Natal. Ao despontar no horizonte, como
para se mostrar, vem vermelha, com sardas pretas, somente para me iluminar.
Embora muitos pensem que não, renova-me as forças para continuar sobrevivendo
na manhã seguinte.
Forçada a acordar com o sol a
maltratar minha pele escura. Vago pelas ruas como fosse uma estrangeira no
próprio lugar, sem ninguém para apegar-me, sem um lugar para ficar, sem ter o
que comer ou alguém para conversar. Sinto-me assim: invisível.
Muitas pessoas têm o desejo de ser
livre, entendo, e entre muitos desejos que tenho, um deles é fixar o que
denomino de raiz em alguém ou algum lugar, apesar de saber que isso
dificilmente se concretizará. Fui ensinada, duramente, pelas circunstâncias,
que na vida não há fada madrinha.
Como meus pais (na verdade, minha
“mãe”, pois meu pai nem sei quem é, se está vivo ou morto), meu destino será o
mesmo, até a morte precoce. Sem ninguém para perder-me, mas com certeza estarei
em um lugar melhor. Talvez o trem que embarquei, não por escolha, só tem uma
parada certa.
Cecília, 1º ano B

Com certeza, um texto límpido e cheio de sensações, estabelecendo um limite entre o contar e o poetizar.
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