Quando for adulto







Sempre acordava com os gritos de seus pais brigando no meio da noite, eles diziam ao pequeno Jayan que estavam apenas discutindo, e que era coisa de adulto. Na escola se não atingia a média, levava sermões com frases como "se está assim agora, será difícil quando for adulto’’. E ele nem sequer fazia ideia do que seria quando crescesse, sabia apenas que seria um adulto. Alguns de seus colegas ansiavam independência, Jayan sabia embora pequeno, que, além disso, viriam as responsabilidades e todas aquelas contas e todas aquelas brigas.
 Havia, entretanto, um momento onde ele não se preocupava com esse assunto, o momento em que fechava os olhos à noite e permitia que seu inconsciente o levasse aos lugares mais fantásticos. Neste dia, seus pais haviam recebido reclamações pelo garoto estar desenhando na aula, tinha brigado com seu colega, recebido várias críticas de sua tia-avó, Fofoquinha. Estava feliz por ser a hora dormir.
 Demorou  para adormecer, mas quando finalmente o fez  se viu num corredor claro com uma porta só. Algo estava diferente naquele sonho, isso o instigou mais. Abrindo aquela porta, deparou-se com uma cachoeira que descia até o lugar mais bonito que já vira, tinha uma luz azulada e as folhas das árvores pareciam cintilar, havia luzes que piscavam perto das plantas, pequenas e enormes árvores, com casas na copa, com andares mais altos, pontes de  madeira e corda, prismas, tudo era mágico, e sem pensar ele envolveu-se cada vez mais no lugar.

 Depois de horas, uma voz de um garoto de sua idade falou em seu ouvido ‘’esqueça, esqueça todos, você pode ficar aqui para sempre, se essa for a sua vontade...e nunca mais preocupar-se com os problemas dos adultos’’ Jayan pensou e pensou, segundos depois estava acordado. Não podia nem devia fugir daquilo, teria maturidade e saberia lidar com o que viesse, quando finalmente fosse um adulto.

                                                                                            Maria Elisa, Conselho Editorial

3 comentários:

  1. Meu Deus, muito bom viu. Isso podia dar um livro. Fiquei triste quando acabou pois de fato ficou muito bem escrito, a descrição do lugar, o foco narrativo... tudo ficou ótimo. Parabéns, ely!

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