Era tão confuso o jeito dela. Passava a mão pelos braços, inquieta, pensando além do que eu podia imaginar. Seu rosto não era um, entre muitos. Sempre olhando para o lado, a espera da sua partida. E eu, com minha vontade contrária, esperando demorar a chegada da sua ida. Estralava seus dedos, mexia no cabelo, mordia a caneta, impaciente. E eu lá, parado feito um louco, encarando como um bobo, a observar de longe. Parecia uma metáfora, se não fosse até ela dizer um singelo “olá”, nunca mais veria seu jeito esplendoroso de abaixar a cabeça e sorrir envergonhada, quando encontrava alguém familiar. Mas o meu outro lado, inseguro não queria ir até lá, e pagar um de tolo para cima dela. Inesperadamente eu gelei. Ela me olhou, nós encontramos nossos olhos, como uma cena de filme onde tudo ao redor borra, e lá só estamos nós dois. Naqueles dois segundos, eu mergulhei nos seus olhos castanhos. Mas escuto um barulho que me dói o coração. Ela partiu, subiu as escadas, e olhou para trás. Pude gravar seu rosto na minha mente. Lá se foi meu amor, carregado por um 73. Poderia ser uma linda história, mas foi apenas um amor de 5 minutos na parada.
Astronauta

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ResponderExcluirQue lindo!!!
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