O corpo




O corpo

Era só mais um corpo jogado na sala. Um fato não tão comum, porém arrebatador. Sentia freneticamente o pudor, o puro pudor, e mesmo sem saber o sentido da cena presenciada, conseguia sentir a dor singela, que por alguns segundos, vinha me sufocar.
Outrora, na inocência da mocidade, pensava que tal corpo estivesse em um simples cochilo, mal sabia eu, que esse cochilo seria eterno. Eu estava com sono, já era meia-noite, tinha que dar um jeito de tirá-la dali, não podia deixar aquele corpo dormindo no chão frio. Meu pai iria chegar do seu bar, com sua velha garrafa de vinho barata comprada no bar da esquina, mas eu tinha medo. Continuava lá, deitada no chão frio. A pela pálida, nova e incrivelmente bela refletia nos meus olhos, todas as vezes que eu chegava perto dos cabelos longos e loiros que tantas  vezes parecia ser algo fantasioso. E surpreendida pelas batidas na porta da sala, eu a vi  ser levada de mim aos poucos, como todas as outras vezes.


Luanna, 1º ano A

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