PENA DE MORTE: um erro existente


Ora, pensar na pena de morte como meio funcional para resolver todos os problemas é uma bizarrice. Desde o fuzilamento do brasileiro Marco Archer na Indonésia que me pus a pensar o quanto a mídia brasileira tenta forjar situações inexistentes. A mídia dominante (diga-se de passagem a rede Globo) tentou vitimar o rapaz diante de uma situação que de fato fere os princípios normativos em alguns países. Já se sabe e não é de agora que muitos países asiáticos não aceitam de forma alguma a aberração do tráfico de drogas, principalmente a Indonésia, por se tratar de uma ilha e haver uma facilidade maior pra entrada de narcotráficos.
Assim, o fato é claro, todos que vão aquele país pressupõem que saibam do ato ilícito que está cometendo e que a punição é severa. O que me incomoda é qual o motivo leva a mídia a explorar um assunto já disseminado pela nossa sociedade? E mais, por se tratar de tamanha crueldade, fazer incutir na cabeça dos cidadãos brasileiros e afins a sentimentalizar o ato. Temos argumentos de sobra para entendermos que aqui no nosso velho pais tropical tal punição não terá efeito como, por exemplo, a falibilidade da justiça humana, onde todos nós sabemos que nossa justiça não é divina, certa, infalível e sim uma justiça que erra, mundana e falível por ser feita pelas mãos do homem, outro argumento de âmbito filosófico é buscar explicações a luz de Aristóteles onde o mesmo explica que toda ação busca um bem, sendo o bem a finalidade de todas coisas, onde tudo progride a uma finalidade, assim na pena de morte a finalidade seria a de matar? Ou vingar-se? Ferindo assim, a noção de busca de um Bem. Outro argumento é que se sabe que em países onde há como punição a pena de morte não há a redução da criminalidade. E por último, digo que este argumento é mais compreensível por se tratar de um fator de senso-comum, onde por sabermos de fato quem é o povo brasileiro, levados por uma forte intensidade emocional, penso que aquelas vozes que clamaram pedindo a pena de morte como punição será também as mesmas vozes que pedirão a clemência aquele condenado.

Assim, se quero um equilíbrio do sistema, não posso pensar em punição por morte de algum homicídio, aceitar todos os argumentos do aborto ou até mesmo da eutanásia. Com isso, se penso em um Estado equilibrado, penso na repugnação a qualquer atentado à vida e se assim dizer penso que o Estado com toda sua grandeza e soberania, possa ou tenha o direito de atentar a vida de alguém a título de punição. Mas é um erro existente.

                                                                  Danielle, professora de Filosofia e Sociologia

1 comentários:

  1. As relações entre as ideias e a mídia sempre são muito diversas e às vezes sem sentido.

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